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- Presidente do Conselho Diretor da Gerdau, do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP)
“Precisamos desenvolver competências gerenciais em todo o país”
O presidente do Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo (MBC), Jorge Gerdau Johannpeter, fala nesta entrevista sobre o Movimento Brasil Competitivo, criado em novembro de 2001, as ações em andamento e os projetos que serão desenvolvidos no segundo semestre deste ano para alavancar a competitividade e melhorar a qualidade de vida do País.

Equipe Editorial: O que é o Movimento Brasil Competitivo?
Jorge Gerdau Johannpeter: Há 10 anos, o Brasil começou a estruturar o seu programa de qualidade, desenvolvido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Foram criados os programas em nível estadual e estruturado o Prêmio Nacional da Qualidade. No entanto, no país existem ilhas de excelência. Posso destacar alguns centros como o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade Paraná, outros institutos no Paraná e o Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade, no Rio Grande do Sul - um programa altamente desenvolvido. Chegamos à conclusão de que era preciso fazer uma revitalização e um crescimento de abrangência porque o país precisa desenvolver tecnologia de gestão em todas as frentes. Por isso, houve a decisão de criar o MBC, como uma organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), em que estão representados quatro ministérios, além de empresários e da Fundação do Prêmio Nacional da Qualidade. Esse Conselho vai estabelecer uma política global para aprimorar as tecnologias de gestão com orientação de aumentar a competitividade no país.

Equipe Editorial: Quais são as principais frentes do MBC?
Jorge Gerdau Johannpeter: Vamos auxiliar na implantação e desenvolvimento de programas estaduais em todas as unidades da Federação e sistemas de premiações para pequenas e médias empresas. Também iremos desenvolver projetos para avaliar as cadeias produtivas, onde não serão analisadas somente as empresas, mas, sim, toda a cadeia envolvida no processo. Faremos projetos para desenvolver a tecnologia de benchmarking e medição. É preciso desenvolver essa cultura de medição comparativa em todas as atividade, nos setores público e privado, para que a cultura da medição seja incorporada ao processo.

Equipe Editorial: Qual o principal objetivo do Movimento?
Jorge Gerdau Johannpeter: São três objetivos básicos: o aumento da competitividade, eficiência e produtividade do setor empresarial; o aumento de eficiência, produtividade e competitividade da infra-estrutura governamental; e, o terceiro e grande objetivo, a melhoria da qualidade de vida para os cidadãos. Hoje, existe o Prêmio Nacional da Qualidade e alguns prêmios estaduais. Vamos trabalhar para que exista um sistema de capacitação e premiação em todos os Estados. A experiência do Rio Grande do Sul inclui grandes e pequenas empresas, de diversas áreas, entre elas educação, saúde e agropecuária. Nós queremos que esse modelo seja ampliado para todo o país. Também estão sendo desenvolvidos programas no Governo Federal. Já foram premiadas, por exemplo, a unidade da Petrobrás, no Rio Grande do Norte, uma unidade de Furnas e a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro.

Equipe Editorial: Como o Governo Federal irá auxiliar para os desenvolvimento de projetos?
Jorge Gerdau Johannpeter: Faremos convênios para potencializar a viabilização dos projetos, sempre com o envolvimento da comunidade. Uma das novidades é que já está em negociação junto ao Ministério do Planejamento o desenvolvimento de um projeto para fazer benchmarking dos níveis de desempenho da administração pública fora do Brasil.

Equipe Editorial: Quais os projetos que serão desenvolvidos ainda este ano?
Jorge Gerdau Johannpeter: O MBC irá ampliar as ações desenvolvidas pelos Programas Estaduais já em atuação em alguns Estados. Um dos projetos em andamento, com parceria do Sebrae Nacional, é a massificação dos conceitos de competitividade, o desenvolvimento de programas regionais e premiações para micro e pequenas empresas em todas as regiões do país. Nos próximos 12 meses, também temos a meta de ter, no mínimo, seis cadeias produtivas com sistema de avaliação implantado.

Equipe Editorial: Como é possível agregar o esforço do MBC às três esferas governamentais?
Jorge Gerdau Johannpeter: Através da tecnologia de gestão de processos temos condições de trabalhar com maior eficiência, com menos custos e perdas. É muito importante para um país como o Brasil conseguir gerenciar seus processos com menos desperdício. Só vamos poder ter mais investimento se soubermos gerenciar com mais eficiência. É um investimento que as grandes empresas normalmente fazem, mas que precisamos estender para todas as organizações e, principalmente, para o setor público. Desenvolver eficiências e tecnologias de gestão é um fator de prosperidade e de melhoria da qualidade de vida.

Equipe Editorial: O que está faltando para o empresariado, na sua avaliação?
Jorge Gerdau Johannpeter: Existe a eficiência intra-muros e a extra-muros. Intra-muros é o que fazemos na própria empresa – é buscar modernização, capacitação das pessoas, qualidade dos produtos, marketing, são todos os fatores que fazem com que uma empresa se torne eficiente. No entanto, existe um processo ainda maior - o extra-muros. Para sermos competitivos, precisamos de condições de infra-estrutura, de transporte, logística, estradas, ferrovias, portos, telefonia, energia. São estruturas necessárias para o sucesso de um negócio. Por isso, esses serviços também precisam ser desenvolvidos com eficiência e competitividade. A soma desses fatores é que irá construir um sistema integrado de competitividade para o País.

Equipe Editorial: Quais os benefícios práticos para a economia do país com a implantação de sistemas de gestão pela Qualidade?
Jorge Gerdau Johannpeter: Em primeiro lugar, tornamos as organizações mais competitivas. Ao serem mais competitivas, aumentam seu market share. Ao ampliar sua participação no mercado, ela gera mais empregos e produz mais. Tem condições de gerar mais impostos. Mas o fator mais importante é que uma organização que entra nesse ciclo começa a ter uma equipe de colaboradores mais capacitados e cidadãos mais integrados. Isso porque o processo de gestão pela qualidade olha sempre quatro públicos: o cliente, o investidor, os colaboradores e a comunidade.

Equipe Editorial: Como o MBC vai auxiliar a disseminação dos conceitos da competitividade nas micro e pequenas empresas para adotarem novas tecnologias de gestão?
Jorge Gerdau Johannpeter: Queremos atingir altos patamares de gestão em todos os Estados, através dos programas estaduais. Em cada Estado, vamos incentivar a criação ou ampliação de sistemas de premiação e capacitação para micro e pequenas empresas. No Rio Grande do Sul, 70% dos associados ao Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade são micro e pequenas empresas. O importante nessa ação de mobilização é que o processo comece: basta aderir a um Programa Estadual, capacitar um representante da empresa e iniciar um trabalho de avaliação estatística de um de seus processos. Pode-se começar, por exemplo, avaliando as perdas na produção ou a satisfação do cliente.

Equipe Editorial: Como as empresas podem se beneficiar com a criação do MBC para ampliar seus mercados?
Jorge Gerdau Johannpeter: Uma vez que a empresa desenvolve essa cultura de medição, gestão pela Qualidade e inovação, estará capacitada para concorrer em qualquer lugar do mundo. Tanto é assim que existe o conceito de pesquisar o benchmark em busca de quem é mais competitivo em uma ou outra tecnologia. Conjugado com esse processo de gestão, as empresas se capacitam a enfrentar a concorrência e as crises.

Equipe Editorial: O MBC iniciou este mês uma série de eventos para a mobilização dos empresários nas principais capitais do país. Qual o principal objetivo dessa iniciativa?
Jorge Gerdau Johannpeter: Este primeiro encontro abriu uma série de eventos, onde serão apresentadas as diretrizes do Movimento, ações já realizadas, projetos para o segundo semestre e visão de longo prazo. O envolvimento das lideranças empresariais é fundamental para alavancar a competitividade do país e melhorar a qualidade de vida da população. Com esses encontros, queremos incentivar a adesão dos empresários para a mobilização e auto-sustentação do Movimento. Precisamos desenvolver competências gerenciais em todo o país. Se não aprendermos a gerenciar os recursos escassos, não teremos condições de desenvolvimento. O conceito do gerenciamento da escassez é decisivo para chegarmos a melhores resultados. No atual cenário competitivo, não adianta alguns Estados avançarem sozinhos. É necessário que este processo tenha uma dimensão nacional.

Equipe Editorial: Na sua opinião, o que é preciso para que o Brasil seja mais competitivo?
Jorge Gerdau Johannpeter: A competitividade é a soma de eficiências internas e externas. Para sermos competitivos, precisamos de colaboradores capacitados, projetos e gestão competentes e infra-estrutura interna e externa. A soma desses fatores que fará atingir a competitividade global. Precisamos investir para termos retorno e implantar uma cultura de medição em todos os setores.

Entrevista concedida à jornalista Raquel Boechat para o portal BrasilCompetitivo.com.